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O que fazer quando a ação “anda de lado”?

Um investidor mais atento já deve ter observado que, às vezes, o preço da ação de uma empresa fica “andando” de lado por um bom tempo. Aliás, depois da grande valorização ocorrida em 2009, após o ápice da crise de 2008, o próprio índice Ibovespa tem andado de lado – ou seja, mantendo-se razoavelmente no mesmo patamar. Às vezes, ocorre uma queda mais brusca, seguida de um aumento rápido no preço da ação, mas no geral as coisas ficam “na mesma”. Como o investidor deve se comportar nessa situação?

1. Verifique se os fundamentos da empresa justificam a estabilização dos preços da ação

A primeira coisa a ser verificada é o que está acontecendo com os fundamentos da empresa. Eles evoluíram ou pioraram ao longo do tempo?

Vejamos o caso, por exemplo, do Banco Itaú Unibanco. Em 2007, suas ações (ITUB4) chegaram a ser negociadas por pouco mais de R$ 35,00. Hoje, em fevereiro de 2011, o preço de cada ação está na casa dos R$ 38,04. Mas o Itaú de hoje é o mesmo Itaú de 2007? Obviamente, não. Em 2007, o Itaú era só Itaú – o banco ainda não havia se fundido com o Unibanco.

Em 2007, o patrimônio líquido do banco valia algo em torno de R$ 28.969 milhões, quase a metade do valor do final de 2009, na casa dos R$ 50.683 milhões. O Lucro por Ação do banco, em 2007, era de R$ 1,71; em 2009, de R$ 2,20 (hoje, contando com os dados do 3o trimestre de 2010, já é de R$ 2,77). Em 2009, o banco pagou uma bonificação de 10% para seus acionistas – ou seja, para cada 10 ações, o banco deu 1 para cada acionista. De 2007 até 2009, o Itaú Unibanco pagou proventos (dividendos e juros sobre o capital) – R$ 0,62 em 2006, R$ 0,63 em 2007, R$ 0,86 em 2009 (dados da plataforma Valoriza, do INI).

Somente com a bonificação e os dividendos, o investidor já teria uma rentabilidade de 16% sobre a cotação de R$ 35,00. É pouco, mas é algo que o simples olhar sobre a cotação não mostra.

Além disso, o Itaú, hoje, é uma empresa melhor do que era em 2007. Em 2007, na cotação base de R$ 35,00, o P/L do banco era de 18,91; hoje, a uma cotação base de R$ 38,04, o P/L é de 13,73. Ou seja, as ações do banco estão mais baratas hoje do que em 2007, mesmo a um preço um pouquinho maior. Se o mercado vier a avaliar o banco, hoje, com base no mesmo índice P/L de 2007, teríamos uma cotação de R$ 52,38 – e o investidor teria uma rentabilidade de 37%. Somados aos 16% com os proventos, seria um lucro de 53% em apenas 3 anos…

Vejamos o caso de outra empresa fantástica, a Vale. Em 2007, as ações VALE5 chegaram a ser cotadas a R$ 50,29 – valor bastante próximo do atual, R$ 50,24. Mas em 2007, o valor patrimonial por ação era de R$ 10,63; hoje, é de R$ 21,29 (o dobro!!). Em 2007, o lucro por ação era de R$ 3,73; hoje, está na casa dos R$ 4,23. A cotação de R$ 50,29 equivalia a um P/L de 13,48. O P/L atual da empresa é de 11,87 – mais barato, portanto. Sem contar que a empresa também pagou dividendos ao longo desses anos!

E poderíamos prosseguir assim, também, com outras empresas cujas cotações “andaram” de lado, mas que, na verdade, são hoje empresas melhores do que eram há 3, 4, 5, 10 anos.

O investidor de longo prazo deveria ficar feliz por isso acontecer. É um sinal de que seus investimentos de 3 ou 4 anos atrás estão ainda mais atrativos hoje do que eram naquela época – e se fazia sentido comprar suas ações naquele tempo, talvez faça mais sentido ainda comprá-las hoje (a não ser, é claro, que o investidor encontre investimentos com potencial maior). Com um portfólio diversificado, é bem provável que em algum momento o mercado identifique essas discrepâncias e as corrija.

2. O mercado pode estabilizar irracionalmente o preço da ação

O mercado não é racional ao estabelecer as cotações das empresas. As pessoas acreditavam que fazia sentido comprar ações a preços muito mais inflados no mercado de 2007, porque confiavam que os preços continuariam a subir demais nos anos vindouros. Em 2007, antes da crise do setor imobiliário americano, as pessoas estavam iludidas com o mercado de ações: o céu era o limite.

Por essas razões, os preços subiram mais do que estava justificado pelos fundamentos das empresas. Talvez apenas hoje os fundamentos de algumas empresas tenham se ajustado às cotações que eram comuns em 2007 – e, por isso, as cotações “andaram de lado” por tanto tempo. Claro, cada caso é um caso: existem ações que estão mais caras hoje do que eram em 2007, sem que os fundamentos tenham acompanhado, e também pode ter ocorrido o contrário.

3. O P/L de uma ação varia conforme as expectativas do mercado

O fato é que, no cenário macroeconômico dos dias atuais, o mercado está preocupado e, por conta disso, tem se recusado a avaliar as ações com o desleixo dos anos anteriores a 2008. Isso se reflete diretamente na relação entre o Preço e o Lucro das ações de cada empresa: em tempos de bonança, o mercado tende a jogar o P/L das empresas nas alturas, com a confiança de que o futuro será magnífico; em épocas de preocupação, o mercado considera que o futuro é incerto e tende a manter o P/L mais baixo.

Cabe ao investidor diligente saber identificar esses momentos e utilizá-los em seu proveito, adqurindo por um bom preço aquela ação que tanto deseja.

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