PEG: um importante indicador para investir em ações
A maioria dos investidores em ações conhece o P/L, que é a divisão do Preço de cada ação pelo Lucro Por Ação (LPA), que indica quantas vezes a cotação da ação é superior ao lucro da empresa destinado a cada ação. Mas o P/L tem limitações também, pois utiliza como indicador apenas o Lucro Por Ação atual da empresa, desconsiderando o crescimento futuro da companhia. Já escrevi sobre isso, mostrando a importância de incluir o crescimento futuro no cálculo do P/L. Mas existe um outro indicador que já faz isso naturalmente, o PEG. Aprenda como calculá-lo e como utilizá-lo para avaliar uma ação.
O que é o PEG
O PEG é um indicador utilizado muito nos Estados Unidos para avaliar o potencial valor de uma ação. De maneira parecida com o P/L, o um indicador PEG baixo significa que a ação está desvalorizada.
Para calculá-lo, divida o P/L pelo crescimento anual do Lucro Por Ação (LPA) Estimado. Se o PEG for inferior a 1, isso significa que a ação está barata, porque o P/L dela é inferior à taxa de crescimento de seu LPA. Por exemplo, digamos que você queira investir nas ações da Ambev e acredite que a média anual de crescimento do PEG para os próximos anos será de 25% ao ano (o crescimento do LPA dos últimos 5 anos foi de 28,36%). Como o P/L atual das ações AMBV4 é de 18,88, você deve dividir 18,88 por 25. O PEG, nessas condições, é de 0,75 – ou seja, ainda valeria a pena investir nas ações da companhia. Note que esse é apenas um exemplo, não significando que eu esteja recomendando comprar as ações da Ambev.
Lembre-se sempre de que o crescimento do LPA é projetado e, por isso, pode não ser correto. Tente sempre projetar um crescimento razoável, em linha com o real potencial da empresa. O ideal, nessa projeção, é ser conservador. De minha parte, gosto sempre de pegar o quanto o LPA da empresa cresceu nos últimos anos como critério de análise. A média de crescimento do LPA da Ambev, por exemplo, é a seguinte: nos últimos 10 anos (28,74% ao ano), nos últimos 5 anos (28,36%), nos últimos 3 anos (57,81%), e no último ano (27,23%). Ou seja, minha estimativa de 25% ao ano parece em linha com o que a empresa tem apresentado nos últimos balanços.
Mas o PEG também é útil para estimar o que aconteceria em situações diversas. Você pode testar cenários hipotéticos: o que aconteceria se a empresa diminuísse o ritmo de crescimento do seu lucro pela metade? No caso da Ambev, isso significaria que o crescimento de seu LPA cairia para cerca de 12,5% ao ano (com relação à projeção inicial de 25%). Com o P/L atual de 18,88, seu PEG subiria para 1,51 – e, nesse caso, o preço da ação estaria caro.
O PEG funciona?
O analista Joseph Khattab, do The Motley Fool, fez um estudo retroativo para verificar a eficiência do PEG como um fator preditivo da rentabilidade de ações. Ele calculou o PEG de 1.000 empresas americanas em 2003, a partir do crescimento do lucro por ação projetado para as empresas naquela oportunidade, e chegou aos seguintes resultados:
| PEG em 2003 |
Rentabilidade mediana |
Rentabilidade média |
| Entre 0 e 0.99 |
154.1% |
225.2% |
| 1.00 -1.50 |
78.4% |
92.6% |
| 1.51 – 2.00 |
60.5% |
79.0% |
| Mais que 2 |
44.4% |
69.4% |
Ou seja, tal como esperado, as empresas que apresentaram um PEG entre 0 e 1 tiveram rentabilidade média superior em 154% em relação às que tinham um PEG superior.
Além disso, 92% das empresas com PEG entre 0 e 1 superaram a rentabilidade do mercado em períodos superiores a 3 anos, contra 68% das empresas com PEG entre 1 e 2 e apenas 47% das empresas com PEG superior a 2.
Limitações do PEG
Tal como o P/L, o uso do PEG também apresenta limitações. A principal delas está em desconsiderar outros fatores que o mercado leva em consideração ao estabelecer o preço de uma ação, como a margem líquida de vendas, o crescimento das vendas (e não o do lucro por ação), fluxo de caixa, dividendos, dívida e outros fatores.
Ou seja, lembre-se sempre de não confiar em um único indicador antes de investir em ações. Uma empresa é mais do que o seu lucro – mas é importante investir sempre em empresas que apresentam um crescimento constante e confiável no seu lucro líquido. Afinal, empresa que lucra não quebra!