Estratagemas Erísticos #2 – Homonímia Sutil
Gostaram do primeiro post da série?
De fato, a erística é largamente utilizada em muitos discursos e conversas por aí. Às vezes maliciosamente, às vezes inconscientemente.
É importante, portanto, aprender a identificá-la e refutá-la, não apenas para vencer um debate, mas para evitar que seus interlocutores cheguem ou mantenham convicções fundamentadas em conclusões equivocadas!
Lembrando que a seqüência dos posts e os exemplos são todos embasados no livro “Como vencer um debate sem precisar ter razão” de Schopenhauer (introdução e notas por Olavo de Carvalho)
A erística de hoje é a da “Homonímia Sutil”
Exemplo:
- É um absurdo e incompreensível a chamada “honra”. Como pode um homem ficar “desonrado” se um sujeito lhe ofender? Ora, a verdadeira honra não pode ser ofendida por algo que alguém sofra, e sim por aquilo que o próprio sujeito faça!
- Ah é? E se sua profissão depender de sua honra? Se lhe acusarem de ladrão, desonesto ou negligente? Sua honra foi claramente manchada e, portanto, deve ser reparada por meio de retratação ou castigo do ofensor!
E aí? Vocês concordam?
Mas o que seria a homonímia sutil?
“Usar a homonímia para tornar a afirmação apresentada extensiva também àquilo que, fora a identidade de nome, pouco ou nada tem em comum com a coisa de que se trata; depois refutar com ênfase esta afirmação e dar a impressão de ter refutado a primeira”
É bastante semelhante ao raciocínio sofismático ex homonymia:
Toda luz pode apagar-se.
O intelecto é luz.
O intelecto pode apagar-se.
Nesse caso, o estratagema é bastante óbvio para enganar um interlocutor atento, mas e o outro?
Ora, no primeiro exemplo, o segundo interlocutor está (consciente ou não) confundindo a honra civil (o bom nome, a reputação comercial, etc.), que pode ser ofendida pela calúnia, com a honra cavalheiresca (pundonor), ofendida pela injúria (xingamento, dedo médio em riste, etc.).
O raciocínio do segundo interlocutor é justamente o seguinte: “ora, se aquela honra deve ser reparada pública e efusivamente, também o deve ser esta, que deve ser limpada PELO SANGUE!!!”
Ocorre que uma delas é independente de como o seu estado de espírito, sua psique, seu “eu interior”, se comportou diante da ofensa, pois sua reputação comercial perante terceiros se abala com a propagação de comentários caluniosos. Já a outra, não. O seu estado de espírito é a única vítima da agressão. Seus efeitos são restritos ao seu estado de ânimo após a a injúria.
Percebem que são dois pontos diferentes?
A vida imita a arte
- Você ainda não sabe nada de Economia!
- E nem quero saber! Prefiro gastar!
E vocês? Algum exemplo de utilização de erística em suas vidas?