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Como atuo no mecado…

Juros e seleção adversa

Créditos da imagem a Santiago García Pimentel

Prezados leitores,

Como vão?

Este é um post homenagem a meu professor do Mestrado, o Gílson com acento agudo no i.

Ele, de fato (mérito devidamente reconhecido), previu o que agora os jornais estão divulgando: a inadimplência aumentou DEMAIS nos últimos tempos.

Culpa de quem?

Da Economia, é claro! Quem mandou esses economistas descobrirem a tal “seleção adversa”?

Se a tivessem deixado cobertinha, escondidinha, talvez nada disso tivesse acontecido…

O que raios é essa tal “seleção adversa”? Ah, ela é o óbvio gritando na orelha dos gestores de políticas públicas, mas constantemente ignorada.

Vejamos o caso. Câmbio + PAC + PAC2 + uma pá de outras coisas = inflação.

- Oh, meu Deus! Como vamos controlar a inflação que está estourando a meta???

Resposta padrão: aumenta a meta da SELIC.

Não vou nem entrar no mérito de que isso piorará a questão cambial porque respeito a inteligência dos leitores deste blog. Vamos apenas analisar a questão da inadimplência.

A SELIC, como já falei no meu post anterior, é considerada a taxa-base porque é a remuneração do empréstimo entre bancos.

Se um banco precisa de grana no curtíssimo prazo, ele toma emprestado de outro e paga a SELIC, ok?

A SELIC não é estabelecida na canetada, ela é uma taxa de mercado. O que o Governo pode, e faz, é atuar em outras variáveis para mantê-la dentro da meta estabelecida pelo COPOM.

Todo mundo acompanhando? Ótimo. Só que ela também é largamente utilizada para controlar a inflação!

Como? Aumenta a meta, os juros aumentam para os bancos que os repassa para os tomadores finais (eu e você).

Considerando apenas aqueles que tomaram empréstimo a juros variáveis, e que só existam dois perfis de tomadores de empréstimos: os pagantes e os com a corda-no-pescoço-se-soprar-eu-caio.

Os primeiros tomaram empréstimos conscientes e apenas até onde poderiam pagar. Os segundos tomaram empréstimo de maneira temerária ou por necessidade de liquidez emergencial.

Seja qual for o motivo, estes últimos são mais sensíveis ao preço.

Quando a SELIC aumenta, os tomadores marginais (não tem nada a ver com criminoso aqui, pelo amor de Deus), ou seja, aqueles que estão no limite de sua capacidade de pagamento se tornam inadimplentes.

Essa inadimplência, quando generalizada, leva os bancos a aumentar a taxa de juros para os demais tomadores, atingindo aqueles outros tomadores marginais, mas que estavam em uma condição um pouco melhor.

E o ciclo se repete até expulsar do mercado os maus pagadores (por conta da falência pessoal) e os bons pagadores (que não tomarão empréstimos a juros altíssimos).

E, para piorar tudo, lembrem-se que os próprios bancos TAMBÉM são tomadores de empréstimo. Eu mencionei que a SELIC é uma taxa de mercado?

Resumo da brincadeira: A inflação aumenta, a SELIC aumenta, os juros aumentam, a inadimplência aumenta, os juros aumentam, a SELIC aumenta, os juros aumentam…

Quem quer brincar?

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