O post que todos esperavam!
Sim, meus caros…
É chegada a hora! A hora da desforra!
A desforra de todos aqueles que se sentiram clientes malandros… de todos aqueles que se sentiram mal por terem ousado pedir um desconto para o seu advogado… aquela pobre criatura de terno, gravata e olhar vazio…
Que hora é essa?
É hora do post: “ADVOGADOS malandros!”
Porque toda lenda urbana tem que ter uma origem, não é mesmo?
Na verdade, essa não é a primeira vez que escrevo sobre erros de advogados. Já falei que, no STJ, o Nupre é um grande filtro contra, digamos, excessos advocatícios.
Nem sempre, contudo, a culpa é do advogado: muitas vezes, o cliente está tão envolvido no problema, magoado, humilhado, que deixa de pensar racionalmente e quer ir às últimas e derradeiras conseqüências!
“Pago um boi pra não entrar numa briga, mas uma boiada pra não sair dela!”
Grande, machão. Mas é nesse momento que o advogado tem que cuidar dos melhores interesses de seu cliente e dar-lhe um discreto puxão de orelhas e tentar acalmar as coisas num bom acordo, ou mesmo desistindo and cashing out.
Deveria, mas nem sempre isso acontece, né?
E por quê? Porque alguns advogados pensam, pasmem vocês, mais em seus próprios interesses que no interesses de seus clientes! Vocês acreditam nisso? Assim como existem clientes que só querem saber de consultas grátis, existem advogados que querem extrair o máximo de seus clientes!
Shockin’ huh?
Pois é, aparentemente é da natureza de todo ser humano (advogados inclusive), puxar a brasa para a própria sardinha. Farinha pouca, meu pirão primeiro, certo?
“Mas, Henrique… como eu, pobre empresário, pobre freelancer… ou melhor, um freelancer empresário E pobre posso me defender desses malandros?”
Conhecendo melhor os seus direitos.
Como os senhores vêem os advogados? O que eles devem fazer por vocês? Eles devem LUTAR pelos seus direitos ou devem DEFENDER os seus direitos? Ele deve fazer o que VOCÊ quer ou o que é MELHOR para você?
Situação 1: um mau acordo é sempre melhor do que litigar?
Depende. Via de regra, sim. Por quê? Porque um acordo bem trabalhado tem a sua marca, as suas características, os seus interesses. As chances em um processo, principalmente no Brasil, cujo Judiciário não tem fama de seguir orientações jurisprudenciais anteriores, são muito complicadas. E, caso ocorra uma perda, ela pode ser definitiva e dolorosa!
Agora… desconfie se o seu advogado tentar “empurrar” um acordo. Exemplo: voltei dia desses de uma audiência em que o advogado da outra parte… sem meias-palavras… errou a petição inicial. Sem entrar em detalhes, o cliente queria uma coisa com o processo, e a petição dizia algo completamente diferente. Até aqui, nada demais. Problemas de comunicação ocorrem e é perfeitamente normal.
Anormal é tentar empurrar um acordo CLARAMENTE contra a vontade do cliente só para esconder o erro. E, pior, falando o tempo todo que quem tinha escrito aquela petição não tinha sido o advogado, mas outra pessoa.
Resultado? Cliente confuso. Acordo MUITO BOM sendo deixado de lado. Frustração e perda de valor mais pra frente.
Situação 2: “La la garantía soy yo!”
Já conversamos sobre certezas na advocacia, certo? NÃO EXISTEM, vamos combinar? Não existem certezas na advocacia.
- Mas o advogado disse que a causa tá ganha!
Papo furado.
- Mas ele me disse que o STJ disse que o STF disse que … já tá tudo no esquema!
Isso não existe. Quando o STJ, STF, seja quem for sumula, decide, firma entendimento, etc. Ele está dando a INDICAÇÃO do seu ATUAL entendimento. Dá pra confiar? Claro que dá, mas não é risk free! Claro que não.
No Brasil, nenhum juiz, via de regra, está obrigado a decidir junto com os Ministros. Eles são livres e podem ser criativos. Particularmente no sul do país, isso é bastante comum.
A única certeza que seu advogado pode e DEVE dar a vocês é a de prestar o melhor trabalho que puder e ser o mais diligente possível.
E é mais do que muita gente faz por aí.
Situação 3: Vamos recorrer até o talo, gata!
Vamos lá! Cliente-liga-pra-advogado-que-redige-a-petição-inicial-para-ajuizar-a-ação-a-outra-parte-contesta-ele-replica-e-GOOOOLLL da outra parte… sentença de improvimento.
Tem-nada-não-advogado-fala-que-dá-pra-apelar-cliente-topa-interpõe-a-apelação-outra-parte-contesta-e-GOOOOOOOLLLL de novo!!! Apelação desprovida.
Fim do primeiro tempo. É hora de PENSAR.
Primeiro, o judiciário brasileiro não é infinito. O STJ e o STF julgam MUITO POUCOS CASOS efetivamente a fundo. Por que são preguiçosos? Claro que não, mas porque é de se esperar que um caso que tenha passado pelo juízo de primeira instância e pelo crivo de sei lá quantos desembargadores em segunda instância já tenha sido debatido o suficiente e somente em situações especiais e extraordinárias é que necessitariam de uma manifestação final e derradeira pelos supra-sumos de nossa organização judiciária.
Significa dizer que ÀS VEZES é melhor deixar barato! Não compensa recorrer! Perdeu, perdeu, amigo. Faz parte da vida! E é dever do advogado apresentar as reais chances ao seu cliente, ora essa! É ele quem sabe o que se deve fazer agora.
Desconfie se o seu advogado sequer perder 5 minutos do precioso tempo dele para te explicar continuarão insistindo no assunto, mmmkay?
E vocês? Já passaram por alguma situação estranha com advogados?