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Quanto você gasta com seu carro?

Esse post foi inspirado em um e-mail enviado pelo leitor Gilberto Stefaneli Júnior, que me pediu para escrever sobre os custos de ter um carro próprio. Mesmo que você já tenha quitado o veículo, ou que não o tenha financiado, os custos relativos a seguro, manutenção e combustível podem comprometer bastante seu orçamento.

Nosso leitor enviou o exemplo de alguém que tivesse comprado um carro popular no valor de R$ 25.000,00. Essas, as contas do leitor:

IPVA – R$ 1.000,00 (4% do valor do veículo)
Seguro – R$ 2.000,00 (8%)
Depreciação – R$ 1.500,00 (6% – o valor que o carro perderia ao longo do ano, pela desvalorização)
Manutenção – R$ 1.000 (4% – considerou-se o valor de um carro com mais de 3 anos)
Custo de oportunidade – R$ 3.750,00 (rentabilidade de 15% ao ano, que seria obtida pelo investidor aplicando-se o dinheiro em renda fixa e variável)
Combustível – R$ 2.700,00 (por ano – uma média de R$ 225,00 por mês)

Teríamos um total de R$ 11.950,00. Por ano. Por mês, quase R$ 1.000,00. Sem contar o custo de compra do carro. Muito, não é?

Vamos pensar um pouco mais sobre a questão. Vamos supor que você comprou o mesmo carro, mas que os gastos são um pouco mais modestos. O IPVA é igual (4%), seguro custa apenas 5% do valor do carro, a taxa de depreciação é a mesma (6%), o custo de manutenção aumenta anualmente (custo zero no primeiro ano, e de R$ 1.000,00 nos anos seguintes). Além disso, o custo de oportunidade é mais baixo, na casa dos 12% (uma rentabilidade bastante razoável para quem investir de maneira diversificada entre a renda fixa e a variável). Os gastos com o combustível são mantidos. Se você ficar com o carrinho por 3 anos, teríamos a seguinte continha:

Em 3 anos, seu carro, que custou R$ 25.000,00, passou a custar R$ 22.090,00 e tirou de seu orçamento R$ 29.159,30. Assustador, não é? É por isso que a decisão de ter um carro precisa ser muito bem pensada. É preciso verificar se essas despesas todas cabem no seu orçamento sem retirar de você a capacidade de economizar ainda mais. Não estou dizendo que você não deve ter um carro, mas que ele não pode retirar de você a possibilidade de economizar e de ter um futuro economicamente viável!

Mas quem gosta de trocar de carro todo ano enfrentaria despesas ainda maiores. Como normalmente quem faz esse tipo de despesa gosta de carros mais caros, vamos refazer as contas com valores mais elevados. O carro, agora, custa R$ 60.000,00 e as demais despesas são mantidas em termos proporcionais aos anteriores. Todavia, como o carro é vendido a cada ano, o valor de aquisição do novo carro a partir do segundo ano será descontado do valor de venda do carro do ano anterior com a depreciação. Além disso, o valor da depreciação será de 10%, já que no primeiro ano o carro se desvaloriza mais. As contas seriam as seguintes:

R$ 75.000,00 foi quanto o consumidor compulsório de veículos gastou ao longo de 3 anos para trocar de carro todo ano (e nem contei, nos dois casos, os custos de compra do primeiro veículo). Embora os custos de manutenção sejam nulos, a depreciação do carro, que é mais forte justamente no primeiro ano após a aquisição, o que gera gastos bastante relevantes. Se o carro não fosse trocado a cada ano, os custos com IPVA, seguro e depreciação seriam menores ano a ano, e o valor excedente poderia ser utilizado para investir. Por isso, o ideal — para quem realmente precisa de um carro — é comprar um bom veículo e ficar alguns anos com ele. E, para ter menos prejuízo com a depreciação, não deixe de considerar a possibilidade de comprar um carro usado com dois ou três anos de uso!

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