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Investindo em ações sem (será mesmo?) risco

Você sabe o que é o IMA?

Se você já entrou no site do Tesouro Nacional, na seção destinada a apresentar a rentabilidade do Tesouro Direto, já deve ter reparado no gráfico que indica a rentabilidade acumulada nos últimos 12 meses dos Índices de Mercado da Andima. Mas você sabe o que é isso? Se você investe ou pretende investir no tesouro direto, saiba que é uma referência importante para o investidor de produtos de renda fixa.

Até hoje, a maior parte da imprensa se concentra apenas no CDI para divulgar a rentabilidade média da renda fixa. É com base nesse índice, por exemplo, que saiu na mídia a informação — equivocada — de que no ano passado a rentabilidade dos fundos de investimento em renda fixa foi muito próxima à da poupança. Mentira deslavada!!!

De fato, alguns títulos de renda fixa, atrelados ao DI, além dos CDBs, tiveram rentabilidade bem próxima à da poupança, quando descontado o imposto de renda. Mas vários outros investimentos em renda fixa foram muito mais lucrativos.

E um exemplo disso é o investimento em tesouro direto. E se a imprensa que cobre o mercado financeiro soubesse o que é o IMA, não sairia divulgando que a rentabilidade da renda fixa no ano passado esteve próxima à da poupança, por causa da queda da taxa Selic.

O IMA, assim como o Ibovespa, é um índice de investimentos de uma determinado grupo de ativos. O Ibovespa, por exemplo, é composto pelas ações que movimentam o maior volume na Bovespa em determinado período. Periodicamente, a composição do índice é ajustada, porque eventualmente algumas ações que se destacaram em um período acabam tendo menor volume de negociações depois, dando lugar a ações que antes não faziam parte do índice. A cada 4 meses, a composição do índice é revista.

O IMA (Índice de Mercado Anbima), por sua vez, mede a rentabilidade de uma carteira teórica de títulos públicos federais, elaborada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). O índice é composto por um índice geral (chamado “IMA-Geral”), que é calculado pela média ponderada de outros sub-índices (IMA-B, IMA-C, IRF-M e IMA-S).

Cada um dos sub-índices, por sua vez, é calculado a partir de um tipo diferente de títulos:

IMA-B – Composto por títulos do tipo NTN-B, cuja rentabilidade é calculada a partir de juros prefixados mais correção pelo IPCA;

IMA-C – Composto por títulos do tipo NTN-C, cuja rentabilidade é calculada a partir de juros prefixados mais correção pelo IGP-M (infelizmente, esses títulos estão atualmente fora de circulação);

IRF-M – Composto por títulos prefixados (LTN e NTN-F);

IMA-S – Composto por títulos atrelados à Selic (LFT).

Esse índice é importantíssimo para o investidor porque possibilita comparar a rentabilidade de seus investimentos em renda fixa com a rentabilidade do IMA nos últimos 12 meses. Em outras palavras, ele é um parâmetro de comparação para que o investidor verifique se tem aplicado bem o seu dinheiro ou não. Também serve para que o leitor, ao estudar os portfólios dos fundos de investimento em renda fixa, saiba qual é a rentabilidade que o fundo tem como parâmetro: muitos fundos utilizam os índices IMA como benchmark para seus investimentos – ou seja, o seu objetivo é alcançar rentabilidade próxima à daquele índice.

Sabendo a composição de cada índice IMA, o investidor pode escolher, por exemplo, fundos de investimento (caso não deseje investir diretamente no tesouro direito) que tenham perfil mais próximo ao seu. Por exemplo, se o investidor acredita que o melhor investimento em renda fixa é aquele que acompanha a variação da taxa Selic, deve investir em fundos que adotem como parâmetro o IMA-S – ou investir diretamente em LFTs, caso deseje.

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